Aquela que escreve e sabe escrever


          A verdade é que eu tenho medo, mas tenho medo de admitir porque na verdade, o medo, sempre foi o meu maior medo. É uma coisa que nunca vou conseguir mudar por mais que sejam as vezes em que eu já passei por ele. Afinal, do que tenho eu medo? Tenho medo de saber, tenho medo de não conseguir, tenho medo de adormecer, tenho medo de não sorrir, tenho medo de crescer, tenho medo de dormir.

         Um dia, atravessei um vidro que me deu cicatrizes, ou tatuagens vá, para ver a coisa de forma mais positiva, Um dia, a procura deu-me um trabalho, ou dinheiro vá, para ver a coisa pelo lado positivo. Um dia, ganhei vida, ou amigos, ou família, ou irmãos, ou conhecimento, ou coração (o que nem sempre conta), só para ver a coisa de forma positiva. E a única coisa em que acabo por ter medo é mesmo da minha pessoa. Até hoje, pensava que me tinha puxado aos poucos limites que os meus olhos viam mas, na verdade, os meus limites passam por tudo o que não quis fazer até hoje. Sei lá, talvez por uma questão de não querer errar por ter medo do erro… ou da consequência acho. Tenho muito medo que hajam pessoas que me conheçam melhor do que eu me deveria conhecer a mim próprio. Eu achava que apenas eu me podia destruir a mim próprio, o que seria estúpido, mas não. E esse é outro medo que me atormenta, saber se aqueles que te puxam ao longo dos dias são os”bons” ou os “maus”, tal e qual a distinção que eu fazia dos protagonistas que via nos filmes ou em desenhos animados. Mesmo na ficção, a ficção é real. Se a mente humana imagina um lado positivo e outro negativo é porque isso tem de existir, mas esta é apenas a minha liberdade de expressão.

          Eu conheci duas pessoas dentro do Paulo: aquela que escreve e sabe escrever e aquela que fala mas prefere encarar o silêncio. Isto é perigoso, ou nem assim tanto. Quando eu encarei a escrita pela primeira vez não vi nada, vi apenas palavras e achei que tinha graça compor uns poemasitos e uns letras de música. Mas calma, se eu escrevia o que me ia na cabeça era porque eu sentia certo? Pois, isso assustou-me, E ganhei medo de tantas maneiras diferentes e descontroladas com que um gajo acorda todos os dias. Triste, risonho, assustado, preguiçoso. Ou uma mistura de todas elas. Mais uma coisa da qual eu tenho medo, mesmo que não pense nisso como uma forma de me assustar na precisa altura em que me levanto para o dia 1 ou 2 ou 10 ou x. Agora deixo-os passar e volto-me a deitar x horas depois. Que mais poderia eu fazer? Exactamente. Nada.

          Já ganhei a noção da designação de corpo humano e vou passar a referi-la: “Poeira perdi num mar de ar que nasce, vive, morre e passa a ser uma memória que, boa ou má, ninguém apaga mas que, faz com que os dias em que recordamos a sua existência, vão diminuindo”. É claro que pelo meio tens a vida. Peço desculpa, não me lembrava que já tinha referido tal coisa. A vida: zero, vazio, escuro, nada. E o resto: tudo igual e nada muda, apenas mais lágrimas perdidas no chão do quarto em que vives sozinho. Medo? Sim, tenho, não quero acabar dessa forma. Fui feito para rir.

          Para finalizar, tenho medo de não realizar o sonho mais importante de todos. Ter uma família criada por mim, ter dois filhos com o meu apelido, ter uma mulher que não ligue a coisas muito complexas e que goste de mãos dadas na baixa de Lisboa. Tenho medo que o meu pai nunca mais me fale, tenho medo que o meu irmão não se sinta realizado, tenho medo que a minha mãe desapareça um dia, tenho medo que a casa da minha avó vire ruína, um dia, Tenho medo que haja um dia em Coimbra e não hajam dois em Lisboa. Tenho medo do que vai ser de mim sem Torres Novas. Tenho medo de largar, tenho medo de arriscar, tenho medo de ficar agarrado, como uma bolha de sabão, ao fundo do mar, enquanto vou flutuando no meio de toneladas de água. Tenho medo de ver coisas tão boas, bonitas, elegantes, excêntricas. Tenho medo de ser ganancioso demais. Futuro, eu tenho mais medo de ti do que tenho do passado. Com o presente eu não me importo porque acabei de escrever dos meus melhores excertos. E olha, sabes que mais? Gostava mesmo que tu fosses o único a guardar segredos, futuro.

DSC00431                                                       Foto da minha autoria, Lisboa 2013

por Paul Alexandre Henriques, Outubro de 2013

Advertisements

~ por Paulo Alexandre Henriques em Outubro 21, 2013.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: