“As oportunidades são um acaso com o qual eu ainda não me conformei.”


               As oportunidades são um acaso com o qual eu ainda não me conformei. Vêm sempre sem avisar, a maioria delas ninguém as consegue apanhar e, para além do mais, é preciso saber como as agarrar, até lhes tirar as asas para elas não voltarem a levantar voo. Daí nós depois termos asas, roubadas às oportunidades.

              “Mas Paulo, só não agarra esse tipo de coisa quem é fraco, quem não tem cabeça para mais, quem não sabe o que sentir, quem não sabe o que quer e o que não quer!”

                Mas e se eu fosse tudo o que passei? Se eu quisesse continuar a ser atleta? Se eu quisesse continuar a ser escuteiro? Ou se eu quisesse continuar a ser estudante? E ainda escritor? Para além disso ainda tinha de ser pessoa, ainda tinha de sonhar, acordar, adormecer e ainda batalhar. Mas eu sei, eu sei que tudo chega na altura certa, mas também começo a pensar que a altura certa pode ser quando nós, simplesmente quisermos. Mas e mas e mas, mas continua a ser absurdo ver comboios que param e voltam a andar, ver o ser humano a levantar voo num avião, para de seguida aterrar. Eu sei o que essas criaturas relatam a seguir: “As coisas boas acabam depressa”. Logo a seguir tudo o que passamos, passa a ser péssimo. Se calhar é melhor não fazermos nada do que é bom, vivermos com algo simples e duradouro… mas espera aí, também tenho namorada e sei que, mesmo sendo a melhor coisa da minha vida, um dia eu ou ela teremos de partir em primeiro, mas primeiro, construiremos uma casa, uma família, um homem ou uma mulher a quem daremos um nome e, só depois… um de nós terá memórias, ou fotografias em molduras, de dois corações apaixonados que, na altura, se ligarão apenas a objectos, roupas, cheiros, lembranças.

               “Amor, tem calma. Eu sei que a morte não passa. Que traz lágrimas, corpos invisíveis em que queremos tocar, fantasmas ignorantes.  Amor, morrer é um sossego, mas sinto mais segurança contigo. Amor, eu Amo-te.”

               Resumindo, sei que, pelas primeiras vezes neste ciclo vicioso, eu te agarrei, mas não fui ladrão, ao ponto de te tirar as asas, e deixei-te voar, e acompanhei-te nesse voo, e hei-de continuar, porque não? Antes, eu via-te, mas parecia um daqueles filmes, onde tudo se passa sem nada se passar na realidade. Eras invisível e estavas num sonho, enquanto eu construía as tuas formas e tentava descobrir uma maneira de agarrar a tua pela, suave, doce, macia. Construí o teu coração através do molde de um punho, bem fechado, para que pudesses ganhar as tuas guerras sem que nada te traísse e, para que o teu sangue não parasse de aquecer quando o tempo estivesse frio.

               “Amor, um dia tudo se resolve e verás que eu vivi por ti e para ti. Já alguém deve ter dito isto a outra pessoa mas, como me costumas dizer, as coisas feitas, ditas, criadas por nós, terão sempre outro significado.”

             “Ah! Olha amor! A minha oportunidade é a tua mão, portanto, esquece o resto.”

por Paulo Alexandre Henriques, edições 2012

Anúncios

~ por Paulo Alexandre Henriques em Novembro 23, 2012.

3 Respostas to ““As oportunidades são um acaso com o qual eu ainda não me conformei.””

  1. seu trabalho é interessante e atrativo, um abraço e sucesso

  2. Oi Paulo Alexandre, vim te visitar. Que texto bonito, intimista e intenso. E este desfecho? Explica tudo….
    …bom vir aqui. Um abraço!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: