“O Paulo perdeu-se e não sabe voltar…”


               O que é que se passa Paulo? Queres-me contar ou não? Paulo, eu vejo-te em baixo… Paulo, eu estou aqui… Estou aqui para quando quiseres… Mas eu vejo-te triste e não consigo arranjar forma de te levantar… Paulo, eu um dia vou embora e não vais ter mais ninguém…

               “Não vais ter mais ninguém…”

               Talvez vá ter, ainda não sei… Talvez o meu futuro esteja destinado a ficar só, no final de tudo… Mas é triste, isto porque, eu não consigo travar uma batalha de cada vez. Batalho contra os dias, contra as mudanças e contra mim!  E o resto? Há alguma paragem que me diga que isto é apenas uma fase, e que na próxima rotunda tudo muda?? Eu não vivo de fases nem de momentos nem de mim. Eu vivo do que vejo e do que sinto, mas não me sei soltar, não sei encarar nada de frente e mereço que me chamem de cobarde. Nasci numa onda de mentiras e em casas onde os filmes eram sempre diferentes e eu esqueci-me… esqueci-me de todos os meus afazeres e dos meus objectivos. Posso mesmo dizer: ” O Paulo perdeu-se e não sabe voltar…”.

               “O Paulo podia ter sido isto e aquilo” “O Paulo era tão bom atleta e do nada, desapareceu” “O Paulo era tão inteligente…” “O Paulo podia ter sido cantor, pintor… O Paulo podia ter sido escritor”. No fim eu digo: ” O Paulo podia ter sido o que ele quisesse e ponto final!”

               Mas o Paulo chora e não sabe arranjar maneira de rir, assim como, se deita e não tem cabeça para levantar. Parece que os lençóis se lhe colaram na pele e não se querem descolar.

               “Paulo, sai do teu quarto e vem para a rua!” “Paulo… o que é feito de ti??”… “O PAULO PERDEU-SE E NÃO SABE VOLTAR!”

               Acontece que, já escrevo cartas para mim próprio porque fiz com que todos se esquecessem que eu existo. Vivo fechado no papel e nas sombras do meu cubiculo, que há muito não vê sol. Durmo de dia, para sentir a presença do silêncio à noite e, deito-me precisamente às 8 horas matinais, para poder ver o nascer do sol, afinal de contas ele ainda me faz companhia. Já nem assino o que escrevo, porque anónimo, pode ser qualquer pessoa e, desta feita, fico com mais amigos, mas imaginários. Não interessa, o filme é só meu.

Escritor Paulo Alexandre Henriques

por Paulo Alexandre Henriques

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~ por Paulo Alexandre Henriques em Novembro 12, 2012.

6 Respostas to ““O Paulo perdeu-se e não sabe voltar…””

  1. Que encontres sempre motivos para sorrir e seres muito feliz, sim porque motivos existem sempre, tu ou você é que tens que procurar dentro de ti mesmo,tens muito valor .
    beijinhos

  2. Escrever e um acto solitario. Sei disso pois tambem eu escrevo ha anos, Tenho caixas de estorias, poemas, simples paginas… Contudo, e muito importante que encontres alguem que TE guie no Caminho. De contrario ficaras como eu com caixas de papel onde palavras escritas do coracao, esperam o dia de serem compartilhadas. Mere-TE e procura quem TE guie nesse Mundo dificil que e o Mundo das editoras. Nao desanimes, se novo e se esse e obtrusive sonho agarrate-TE a ele, mas nao fiques so a escrever. Networking is the key.
    Boa sorte, e um beijinho

  3. Querido, vejo o quanto és sensível . Também gosto de escrever, entre um bug e outro já perdi muitas coisas que escrevi, mas não importa, de qualquer modo, sempre que perco o texto, quando vou refazê-lo, normalmente ele acaba ficando melhor. A solidão é uma marca na vida do escritor, pois não escolemos sê-lo, simplesmente nascemos e as pessoas, a grande maioria, são muito superficiais, quando olham o tamanho do texto, sequer, se dão ao trabalho de ler, alguns leem mas não conseguem navegar no barco de nossa literatura, mas a minoria que sobra faz com que jamais desistamos de escrever, pois o valor que nossas palavras tem para elas, o dinheiro não pode pagar. O mundo dos vencedores, dos de bom gosto, são feitos de minoria. Todo homem nasce vencedor, pois na concepção da vida, o caminho até o útero no final é, quase sempre, solitário. Você já chegou no útero da literatura, agora é só crescer, com a vantagem de saber que não precisarás temer o dano da morte. Boa Sorte. Amei suas palavras. JOSÉ LUIZ SOARES.

  4. intensa, sensivel sua escrita, vc é um jovem muito especial, continue pois assim vc se transformará e nos envolverá no seu mundo…Aguardando mais de vc…

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