Eu queria outra coisa qualquer – Poeta Paulo Alexandre Henriques


 Queria caminhar sobre contos de fadas,

Subir ao céu através de escadas…

Em vez de pintar lágrimas derramadas,

Podia ir ao fundo do mar buscar palavras naufragadas.

 

Queria caminhar sobre a água…

Sentir as lombas do oceano,

A fazerem-me esquecer a mágoa…

Só me resta ir sonhando.

 

Queria ser um floco de neve…

Queria ser um jornal numa loja

À espera que alguém me leve…

Mas não quero esperar morrer para que alguém me eleve.

 

Queria alguma coisa, já que não posso ter o mundo.

As gaivotas chamavam-me vagabundo,

Porque em 24h só apareço na praia 1 segundo.

Eu queria… Mas não cresci no vosso mundo.

 

Queria ter um avatar…

Para quando me for embora continuar a respirar…

Secalhar, não é boa ideia

Porque iria haver um poeta com maneira diferente de pensar.

 

Deixem estar! Já não quero nada…

Porque iria pedir uma caravela,

Se a ia deixar no cais,

Numa prateleira, junto à janela?

 

 

Eu queria outra coisa qualquer, Poeta Paulo Alexandre Henriques, Edições 2012

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~ por Paulo Alexandre Henriques em Agosto 26, 2012.

4 Respostas to “Eu queria outra coisa qualquer – Poeta Paulo Alexandre Henriques”

  1. Se me permites a liberdade, e espero que não te importes, gostaria de deixar aqui a minha critica ao teu poema.
    Como escritor e poeta, também eu dando os primeiros passos (mas há mais tempo do que tu) , e como te conheço, espero que não leves como ofensivo o que te vou dizer.

    Sinceramente gosto da tua construção frásica, e até acho que a liberdade a que te dás em não utilizar uma silábica rígida é óptima.

    No entanto penso que em vez de construíres uma ideia, uma imagem, constróis apenas um vulto que depois dissipas noutro vulto, sem antes fechares as ideias.

    para me perceberes melhor vou te tentar exemplificar usando o teu próprio poema (não quer dizer que esteja melhor, eu não posso escrever o que tu sentes, vou tentar apenas dar-te direcção):

    Primeiro verso:

    “Queria caminhar sobre contos de fadas,
    subir aos céus correndo escadas
    e, em vez de pintar lágrimas derramadas,
    ir ao fundo do mar buscar palavras naufragadas.”

    Desta forma consegues manter o teu tema, porque se isto é um poema e não uma letra de uma musica tem de fazer sentido em vez de parecer que forçaste uma rima. Assim dás a ideia de continuidade e as coisas não aparecem do nada. Eu sei bem que por vezes é difícil fazer isto, mas se não fosse éramos todos escritores consagrados 😉
    por outro lado podes tentar fazer o oposto, como veia artística em que escreves com “non-sequiturs” que apenas a ti falam, mas nesse caso tens de conseguir meter muito feeling na escrita.

    o segundo verso não tenho comentários a fazer e gosto.

    Terceiro verso:

    “Queria ser um jornal numa loja
    À espera que alguém me leve…
    Mas não quero esperar até morrer
    a aguardar que alguém me eleve.”

    aqui repito o que disse: não perderes o sentido da tua escrita.
    a linha do floco de neve vem do nada e retira o leitor do que estava a sentir, embora seja bonito, o floco de neve, não tem significância alguma. Por outro lado acabas por ter que escrever na ultima linha, praticamente, uma linha extra.

    Trocava o quarto com o quinto verso, porque depois de dizeres “Queria alguma coisa, já que não posso ter o mundo.” acabar por cair em repetição se ainda voltares a querer mais coisas. alem de que como no quarto falas em gaivotas a passagem para as caravelas é mais suave.

    na ultima por alguma razão em vez de “prateleira” podias meter “garrafa” porque passa a mensagem de – apesar de quereres muitas coisas estás preso, num sitio demasiado pequeno, onde nem podes “navegar”.

    Um Abraço

    Daniel Rosa

    • Boas Daniel! Então tudo bem contigo?
      Obrigado pela crítica, pois é assim que se evolui. Olha, o meu género de escrita resume-se a ir buscar coisas muito pouco pensantes para me expressar. O Floco de Neve foi um modo de dizer que eu queria ser pouco. Às vezes parece rima forçada porque as pessoas não se habituaram ainda à minha criatividade. Este poema, para mim, diz-me muito. Porque todos querem tudo e eu, também já querendo esse tudo, agora quero apenas um pouco de qualquer coisa.

      Um Abraço
      Paulo Alexandre Henriques

      • isso é que não pode ser 😉 a poesia é o reflexo da alma, e se tu não sabes o que sentes então não te consegues expressar devidamente. Se sabes o que sentes tens de saber explicar a dor que sentes, se não sabes, tens de ler e ler e ler até descobrires as palavras que melhor falam sobre ti. Além disso a poesia tem de ser pensada e, como não escreves para ti, (se não, não te davas ao trabalho de publicar as coisas) deves tentar fazer com que sejas compreendido. Deves ser ao mesmo tempo autor e leitor.

        Daniel

      • Eu sei o que sinto Daniel mas esta é a minha personagem. Nem todos podem gostar do que faço. Para além disto eu estou a escrever uma autobiografia intitulada de “A minha História foi diferente” e por este livro todos vão compreender aquilo que eu escrevo.

        Paulo Alexandre Henriques

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